OS CONDES DA ERICEIRA

Brasão de armas dos Condes da Ericeira


Conde da Ericeira foi um título nobiliárquico criado por Filipe IV, rei de Espanha, por carta de 1 de Março de 1622 a favor de D. Diogo de Menezes (1553-1625). O 5º conde foi também 1º marquês do Louriçal.

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1º Conde

D. Diogo Menezes (Lisboa 1553-Madrid 1635) elevado a Conde, em 1 de Março de 1622, por Filipe III de Portugal.

Diogo de Meneses, (Lisboa, 1553 — Madrid, 1635) foi um aristocrata português.

Ele era o terceiro filho de D. Diogo de Meneses, o 2.° senhor do Louriçal, comendador de Mendo Marques e de São Tiago de Cacém, do conselho de D. João III de Portugal, e de sua esposa Violante de Castro, filha de Simão de Miranda, camareiro do cardeal infante D. Henrique. Seus dois irmãos mais velhos, Simão e Henrique, foram mortos em Alcácer-Quibir, em 4 de agosto de 1578. Seu irmão caçula, Fernando, ficou cativo, como ele, no local.

Mordomo e gentil-homem de Filipe IV de Portugal, D. Diogo de Meneses se tornou senhor da vila da Ericeira por compra que fizera, juntamente com a quinta e o morgado de Mafra, pela quantia de 8.000 cruzados. O senhorio da Ericeira pertencia a D. António, prior do Crato. Tendo Filipe II de Espanha assenhoreando-se de Portugal, sequestrado todos os seus bens, passaram estes para a Coroa, deu portanto a vila da Ericeira a Luís Alvares de Azevedo, de juro e herdade. Morto Luís Alvares, passou a vila, por herança, a uma sua filha religiosa do convento de Odivelas, e esta a vendeu depois, com a quinta e morgado de Mafra, como se disse, a D. Diogo de Menezes.

O fidalgo partiu com el-rei D. Sebastião de Portugal para África em 1578, acompanhado de seus irmãos, e estiveram na batalha de Alcácer Quibir. D. Simão e D. Henrique morreram, e D. Diogo e D. Fernando ficaram cativos, conseguindo o resgate à sua custa, não aceitando o dinheiro que para esse efeito lhe levara Francisco da Costa por ordem de el-Rei.

Um desgosto que teve com seu irmão D. Fernando o obrigou a deixar Portugal e fixar residência em Madrid, onde mereceu atenções de Filipe IV, que o fez seu mordomo e gentil-homem, comendador de Cazevel na Ordem de Cristo, e deu-lhe o título de Conde da Ericeira por carta passada em Madrid a 1º de março de 1622. Aceitou a mercê para seu sobrinho-neto, D. Fernando de Menezes, neto de seu irmão D. Fernando, e filho de seu sobrinho D. Henrique, o qual, indo a Madrid, já o achou falecido. Deixou-lhe em testamento mais de 700 mil cruzados em móveis preciosos - somente o padroado da capela-mor do convento da Graça, de Lisboa, tinha quatro missas quotidianas e quatro ofícios.

Tinha casado com D. Isabel de Castro, filha de Álvaro Pires de Andrade, comendador de Torres Vedras. Não tiveram filhos. Comenta um cronista: «Os futuros Condes da Ericeira lavaram a nódoa de terem aceitado um título dado pelo Rei castelhano com os relevantes serviços que prestaram à sua pátria nos reinados de D. João IV, D. Afonso VI e D. Pedro II.

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2º Conde

D. Fernando de Menezes (1614-1699), sobrinho neto de D. Diogo. Homem muito culto e com superior educação científica. 

Fernando de Meneses, 2.º Conde da Ericeira

D. Fernando de Meneses, 2.° Conde da Ericeira (27 de novembro de 1614 — Lisboa, 22 de junho de 1699) foi um nobre português do século XVII.

Família e educação

D. Fernando era o filho primogénito de D. Henrique de Meneses, 5.° senhor de Louriçal, e de sua esposa D. Margarida de Lima, filha de João Gonçalves de Ataíde, o 4.° Conde de Atouguia.

Em 1625, ele herdou o título nobiliárquico de seu tio-avô D. Diogo de Meneses, o 1.° Conde da Ericeira, irmão mais novo de seu avô paterno, tornando-se o 2.° Conde da Ericeira. Com a morte do pai, tornou-se ainda o 6.° senhor de Louriçal.

Aprendeu os preceitos da língua latina com o frei Francisco de Santo Agostinho de Macedo, e as disciplinas matemáticas com os padres jesuítas Inácio Stafford e Cristóvão Barros. Tornou-se muito versado em geometria, geografia e arquitetura militar.

Carreira militar

D. João IV de Portugal, aclamado rei após a Guerra da Restauração, reconhecendo o elevado valor militar de D. Fernando de Meneses, encarregou-o de fortificar os portos marítimos contra a invasão dos castelhanos, missão esta que ele prontamente executou, aumentando com maior número de artilharia o Castelo de Outão de Setúbal e levantando alguns fortes em Aveiro, Buarcos, Peniche e outros lugares marítimos.

Nas batalhas de Montijo, Valverde e Barcarrota, Meneses se tornou distinto e livrou a cidade de Évora do cerco a que tinha sido submetida pelo general castelhano Marquês de Legañez. Sendo governador da praça de Peniche, impediu o desembarque da armada inglesa no porto. Em 1656, foi nomeado governador e capitão-general de Tânger, para onde partiu em 17 de fevereiro, sendo recebido naquela praça com multiplicadas descargas de artilharia pelo seu antecessor D. Rodrigo de Lencastre.

Comendas e ofícios

Comendador das comendas de São Pedro de Elvas e de Santa Cristina de Serzedelo, D. Fernando foi conselheiro de guerra; gentil-homem da câmara do infante D. Pedro, depois D. Pedro II de Portugal; deputado da Junta dos Três Estados; vereador do Senado de Lisboa; regedor da Casa da Suplicação; e por fim conselheiro de Estado, rejeitando o governo do reino do Algarve e a vedoria da Fazenda, lugares que lhe foram oferecidos.

Família

D. Fernando de Meneses foi casado com D. Leonor Filipa de Noronha, uma das damas da rainha D. Luísa de Gusmão. Ela era filha de Fernão de Saldanha, capitão-general da ilha da Madeira e comendador de S. Martinho de Santarém, e de D. Joana de Noronha.

Eles tiveram apenas uma filha: D. Joana Josefa de Meneses (1651-1709), que se tornou a 3.° Condessa da Ericeira por casamento, pois se casou com seu tio, D. Luís de Meneses, 3.° Conde da Ericeira.

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3º Conde

D. Luís de Menezes (Lisboa 1632-1690), apelidado o ‘Colbert Português’, era irmão do anterior e casado com a sua filha herdeira, D. Joana Josefa de Menezes, 3ª Condessa da Ericeira (Lisboa 1651-Coimbra 1709).Foi um dos mais cultos homens do seu tempo. Autor da ‘História de Portugal Restaurado (1640-1668)’.

Luís de Meneses, 3.° Conde da Ericeira (Lisboa, 22 de julho de 1632 — 26 de maio de 

1690) foi um nobre, militar, político e historiador português do século XVII.

Família

D. Luís de Meneses era segundo filho de D. Henrique de Meneses, 5.° senhor de Louriçal, e de D. Margarida de Lima, uma filha de João Gonçalves de Ataíde, 5.° Conde de Atouguia.

Com a morte de seu tio-avô Diogo de Meneses, 1.° Conde da Ericeira em 1625, o irmão mais velho de D. Luís, D. Fernando de Meneses, tornou-se o 2.° Conde da Ericeira. Em razão de D. Fernando ter tido apenas uma filha, a escritora D. Joana Josefa de Meneses, e portanto uma única herdeira, D. Luís de Meneses se casou com sua sobrinha no dia 1 de maio de 1666, no Convento de Santa Clara, a fim de preservar o título nobiliárquico na família. Eles tinham uma diferença de idade de dezenove anos. O casal teve dois filhos:

D. Francisco Xavier de Meneses (1673-1743), mais tarde 4.° Conde da Ericeira;

D. Maria Madalena de Meneses (1676-1735), que não se casou;

Ofícios

Comendador das comendas de São Cipriano de Angueira, de São Martinho de Frazão e de São Bartolomeu da Covilhã, todas da Ordem de Cristo, Meneses foi general de artilharia durante a Guerra da Restauração e, posteriormente, no Conselho de Estado, foi Vedor da Fazenda sob o reinado de D. Pedro II, cujo partido seguiu nas discórdias e nas intrigas palacianas que conduziram à deposição de D. Afonso VI. Distinguiu-se por diversas reformas úteis ao país, considerando-se que a ele se deve o impulso inicial das manufaturas portuguesas. Por essa razão, ele é considerado por alguns autores como o "Colbert" português.

Carreira militar

Com o advento da Restauração da Independência em 1640, D. Luís, então com oito anos de idade, entrou ao serviço do Príncipe D. Teodósio de Bragança, o filho mais velho de D. João IV de Portugal.

Em 1650, tendo decidido acompanhar o vice-rei do Estado Português da Índia, D. João da Silva Telo e Menezes, o Conde de Aveiras, que ia partir para o Oriente, foi persuadido a mudar de ideia por D. João da Costa, futuro Conde de Soure, nomeado naquele ano como Governador das Armas da Província do Alentejo, a quem acompanhou. Serviu naquela região até ao fim da guerra, tendo atingido o posto de general da artilharia. Combateu na batalha de São Miguel (1658), na batalha das Linhas de Elvas (1659), na batalha do Ameixial (1663) e na batalha de Montes Claros (1665), entre outras. Como recompensa por ter derrotado as tropas espanholas na passagem do rio Degebe, recebeu o senhorio da vila de Ancião. Com o advento da paz, foi nomeado Governador das Armas da Província de Trás-os-Montes (1673).

Carreira política e suicídio

Apoiara claramente Pedro II de Portugal e a aristocracia na crise que culminou na abdicação de Afonso VI de Portugal (1667).

Em 1675 regressou a Lisboa, vindo a ser escolhido para deputado da Junta dos Três Estados, o Conselho Régio que administrava o Exército. Na mesma altura, foi também nomeado Vedor da Fazenda da repartição dos Armazéns e Armadas. Nesses postos, apoiou as ideias mercantilistas que Jean-Baptiste Colbert, ministro de Luís XIV de França, havia implementado em seu país, e introduzidas em Portugal por Duarte Ribeiro de Macedo, nas quais se inscrevem as medidas legislativas anti-sumptuárias e de obrigação de utilização de panos nacionais, como foi o caso da pragmática de 1677, que proibiu o uso de panos, chapéus, cintos, boldriés e talins estrangeiros.

Após a Restauração, a balança comercial portuguesa a todos preocupava, e a agravá-la, estava a crise no preço do açúcar do Brasil, que após a expulsão dos neerlandeses (1654), passara a sofrer forte concorrência do de Barbados e do de outras colónias francesas e inglesas, oferecidos a preços mais em conta. Em 1668 a arroba valia, na praça de Lisboa, 2.400 réis, em 1675, na mesma praça, apenas 1.000 réis. O argumento principal dos críticos da política económica portuguesa era não tanto a falta de artigos nacionais para compensação interna de consumo, mas os compromissos assumidos pelos tratados então em vigor, e pela possibilidade da recusa que os países estrangeiros fariam aos produtos de exportação portugueses.

Neste contexto, o conde de Ericeira tomou medidas importantes desde 1680, correspondendo-se com Luís de Vasconcelos e Sousa, 2° conde de Castelo Melhor, na Inglaterra, para promover o estabelecimento de fábricas de panos no Reino de Portugal. Para este fim fez vir mestres e oficiais daquele país, a título de criados da Rainha da Grã-Bretanha, D. Catarina de Bragança, que então se recolhia ao Reino. Essas medidas visavam a tornar Portugal o mais que possível independente da produção estrangeira: à primitiva organização doméstica e artesanal opunha-se um sistema manufactureiro ainda que limitado, com legislação semi-proteccionista, reorganizando as indústrias existentes e implantando novas, de panos (sarjas, baetas e sedas), chapéus, cintos e vidros. Em 1686 renovou a proibição da importação de lanifícios e outros, dando um prazo de dois anos. Apesar disso, nunca os lanifícios ingleses deixaram de circular, mesmo ilegalmente. Mas foi avesso a proteccionismo absoluto e a excessos burocráticos. Na reforma da moeda, Meneses adoptou o processo de serrilha, para evitar o cerceio. Além dos estabelecimentos fabris nacionais, tentou aperfeiçoar a navegação e comércio com os territórios ultramarinos para facilitar o afluxo de matérias-primas e a colocação dos produtos manufacturados; adopção de medidas proteccionistas, afastando a concorrência de outros países no mercado nacional.

Com os mestres e oficiais estrangeiros, estabeleceu teares de tecer panos nas vilas do Fundão, Covilhã, Redondo e Portalegre, que protegeu, resultando em que dez anos depois, estavam fabricando excelentes panos. Os ingleses faziam as diligências para arruinar as fábricas, mas Ericeira as amparava e defendia, conseguindo do soberano a Pragmática de 1687, que lhe ditou, em que proibiu expressamente panos estrangeiros, negando-lhes o despacho nas alfândegas. Nos quatro anos em que as favoreceu a Pragmática, já supriam tais fabricas os panos para o reino e as Conquistas, vestiam as tropas do Exército e da Marinha e iam alguns para fora do Reino, principalmente muitos cortes de vestidos.

Apoiou também a produção de seda, com a plantação de amoreiras e o incentivo à criação de bichos-da-seda em terrenos baldios e em hortas. Em 1678 fez vir, da Itália, numerosos artesãos de sedas. A indústria de curtumes interessava-o, pela abundância dessa matéria-prima no Brasil, e proibiu a importação dos couros ingleses.

Vítima de depressão, descrita à época como "ataques de melancolia", o Conde da Ericeira cometeu suicídio precipitando-se de uma janela do seu palácio em Lisboa, tendo morte quase que imediata. Os seus restos jazem na Capela-mor do Convento de Nossa Senhora da Graça, naquela cidade, no jazigo de seus ascendentes.

Obra

Considerado um dos homens mais cultos de sua época, o Conde da Ericeira dedicou-se principalmente à História, sendo autor da obra História de Portugal Restaurado. Assim como sua esposa, ele tinha perfeito conhecimento das línguas francesa, espanhola e italiana. Possuía uma magnífica biblioteca em seu palácio, decorado com pinturas de Charles Le Brun nas salas. Entre as suas obras, contam-se:

"Compendio panegyrico da vida e acções do Excellentissimo Senhor Luiz Alvares de Tavora, conde de S. João, marquez de Tavora". Lisboa, 1674.

"Historia de Portugal Restaurado (Parte I)". Lisboa, 1679

"Historia de Portugal Restaurado (Parte II)". Lisboa, 1698 - Nesta última obra defendeu, na Introdução, a legitimidade da nova dinastia de Bragança, uma vez que a infanta D. Catarina, filha do infante D. Duarte e neta de D. Manuel I, duquesa de Bragança pelo casamento, havia sido ilegalmente afastada da sucessão por Filipe II de Espanha. Nela descreve o período de vinte e sete anos (1640 a 1668), após o qual se celebraram as pazes com Castela. A obra teve diversas impressões: a Parte I, dividida em tomos I e II, Lisboa, 1751; a Parte II, dividida em tomos III e IV, Lisboa, 1751; saiu pela terceira vez em Lisboa, em 1759.

"Exemplos de virtudes morales en la vida de Jorge Castrioto, llamado Scanderbeg, principe de los Epirotas y Albanezes, etc.,". Lisboa, 1688;

"Relação do felice successo que conseguiram as armas do Serenissimo principe D. Pedro, nosso senhor, governadas por Francisco de Tavora, governador e capitão general do reino de Angola, contra a rebellião de D. João, rei das Pedras e Dongo, no mez de dezembro de 1671"; saiu anónima e sem ano de impressão;

"Soneto em applauso do Panegyrico poetico que dedicou a el rei D. Pedro II o principe Seneschal de Ligne, Marquez de Arronches". Lisboa, 1685.

Deixou ainda alguns manuscritos, principalmente em língua castelhana, entre os quais se contavam duas comédias em verso.


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4º Conde

D. Francisco Xavier de Menezes (Lisboa 1673-1743),filho dos anteriores. Foi um dos homens mais cultos do seu tempo, fazendo jus à tradição da família. Grande cultor da Matemática. Deixou uma obra vastíssima.

D. Francisco Xavier de Meneses foi o 4.º conde da Ericeira. Nasceu em 29 de janeiro de 1673 e morreu em 21 de dezembro de 1743. Filho do 3.º conde, foi senhor da Ericeira e seu termo, e direitos Reais, com as quintas das jogadas da vila de Mafra; 2.º senhor de Ancião e do lugar do Escampado; 8º senhor da Casa do Louriçal e do morgado da Anunciada, padroeiro da capela-mor do convento da Graça, de Lisboa, e do priorado de Santa Maria de Aguiar, no arcebispado de Évora; comendador das comendas de Santa Cristina de Serzedelo, São Pedro de Elvas, São Cipriano de Angueira, São Martinho de Frazão, São Paio de Fragoso, e São Bartolomeu da Covilhã.

Dados biográficos iniciais

Sucedeu ao pai na tenra idade de 14 anos e ficou tão instruido dos interesses do reino que protegia não só os estabelecimentos fundados por seu pai quanto as Artes e o Comércio. Em 1695, com 19 anos, apresentou ao rei D. Pedro um «Discurso sobre as Artes» feito por Tomás da Costa Ferreira, bracarense, negociante na praça de Lisboa, louvando o conde seu pai como instituidor e protector das fábricas - discurso que foi mal aceite. Aluno do cosmografo-mor Manuel Pimentel e igualmente interessado por filologia e história, adquiriu cedo fama de erudito e exerceu grande influência nos meios culturais, embora lhe faltassem qualidades de criação e gosto que poderiam dele ter feito homem verdadeiramente superior.

Carreira politica e militar

Foi deputado da Junta dos Três Estados, conselheiro de guerra, sargento-mor de batalha, e mestre de campo general, etc. Era muito aplicado aos estudos, principalmente aos de matemática. Nas academias, ninguém lhe disputava a primazia, decorrendo a sua eloquência em diversos problemas e discursos; era muito versado nas línguas francesa, italiana e espanhola. Não houve congresso literário instituído neste reino ou no estrangeiro, que o não pretendesse para seu associado.

Serviu na guerra da Sucessão de Espanha, acompanhando D. Pedro II de Portugal, em 1701, quando foi à campanha da Beira, sendo nomeado em 1705 governador de Évora, com o posto de sargento-mor de batalha do exercito do Alentejo, a que foi elevado em 1707, e esteve nas batalhas de 1708 e 1709, distinguindo-se.

Em 1735 nomeado mestre de campo general e conselheiro de guerra.

Carreira acadêmica

Ainda não contava 20 anos, quando a Academia dos Generosos, renovada em 1693, o elegeu para seu primeiro presidente. Na Academia Portuguesa, instituída em 1717 no seu palácio, foi protector e secretário, e na Real Academia de Historia Portuguesa, formada por D. João V de Portugal em 1720, foi um dos cinco diretores e censores.

Nas conferências eruditas, também chamadas dos Sagrados Concílios, feitos em 1715 na casa do núncio apostólico, monsenhor Firrao (Ver Academia do Núncio) lhe tocou a parte critica dos Concílios Universais, onde foram admirados os seus profundos conhecimentos em historia sagrada, teologia e cânones pontifícios. Teve papel importante nessas reuniões celebradas no núncio Firrao e tomou à sua conta história, cânones e teologia; e com as Conferências Eruditas que se reuniam em seu palácio desde 1695 despertou o interesse em grupo numeroso e bastante culto para mais tarde D João V as transformar em Academia Real.

A Academia da Arcadia de Roma, sem que ele o pretendesse, o nomeou seu sócio, com o nome poético de Ormauro Paliseo, assim como a Real Sociedade de Londres. Em todos os certames literários mereceu ser árbitro das obras métricas, que neles se liam, distribuindo os prémios com toda a justiça. A fama do seu nome se propagou por tal forma por toda a Europa, que chegou a alcançar as mais distintas atenções das primeiras pessoas do mundo católico, e o próprio pontífice Inocêncio XIII lhe gratificou por um breve expedido a 29 de Abril de 1722 o Panegyrico que, à sua exaltação ao Pontificado, recitara na Academia em 5 de Junho de 1721, e Luís XV de França lhe mandou o Catálogo da sua livraria em 5 tomos e 21 volumes de estampas, que representavam tudo quanto de mais raro se admirava na corte de Paris.

«A Academia da Rússia lhe escreveu uma elegante e oficiosa carta com a oferta de 12 tomos das obras dos seus eruditos membros. Os mais célebres filólogos de Itália, Alemanha, Holanda, França e Espanha, pretendiam a sua correspondência, enviando-lhe cartas Murati, Bianchimi, Crescimbeni, Dumont, etc., testemunhando-lhe assim o elevado conceito que lhes merecia a sua vastíssima erudição.

Tinha relações com eruditos e Academias estrangeiras, embora sem receber especial prova de deferência; quanto a Boileau, de quem traduziu a Arte poética, este se manteve nos limites da estrita cortesia. Não tinha valor como poeta (ver sua «Henriqueida») nem qualidade de pensador e artista, como provam a Memória sobre o valor da moeda e o Diário de 1731-1733 que lhe é atribuído - mas deve aparecer com relevo na história das ciências em Portugal, não como criador, mas como uma das personalidades que melhor deve ter entendido a ciência européia do seu tempo e que mais deve ter feito para a introduzir no país.

Seguindo tendência geral, embora se interessasse vivamente pelo trabalho teorico de Descartes, Viète, Euler, parece sobretudo inclinar-se para o domínio das aplicações práticas. Foi por iniciativa ou intermédio seu que Jacob de Castro Sarmento principiou a tradução de Bacon, interrompida logo pela intervenção do jesuíta João Batista Carbone junto ao Rei. Promoveu também a Real Fábrica das Sedas, sobre cujo estabelecimento escreveu pequeno Discurso e sobre a plantação das Amoreiras e criação dos bichos da seda, o que também foi mal aceito pela nobreza e do povo, com o que se desgostou inteiramente.

Casamento e posteridade

Casou em 24 de outubro de 1688 com D. Joana Madalena de Noronha ou Joana de Lancastro, como a chama a Biblioteca Lusitana, filha de D. Luís Lobo da Silveira, 2º Conde de Sarzedas e conselheiro de Estado, e da condessa D. Mariana da Silva e Lencastre.

1 - D. Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses (4 de novembro de 1689-1742 Goa) 5º Conde da Ericeira, 1º Marquês do Louriçal.

2 - D. Fernando Antonio de Meneses, que abandonou o século para se tornar Fr. António da Piedade.


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5º Conde

D. Luís de Menezes (Lisboa 1689-Goa 1742),filho do anterior e 1º Marquês de Louriçal. O Título foi instituído por D. João V.

Luís Carlos Inácio Xavier de Meneses , 5º conde da Ericeira, 1º marquês do Louriçal, (Lisboa, 1689 — Goa, 1742), foi um nobre e administrador colonial português, vice-rei da índia portuguesa entre 1717 e 1721 e entre 1740 e 1742.

Aplicado em livros, serviu na guerra da alta aliança e fez coisas de juízo e valor. Educado pelo pai, por D. Luís e D. Fernando de Menezes, conviveu com os que concorriam às Conferências Eruditas e estudou, além de línguas modernas habituais e do latim, as matemáticas e a geografia, «sem gastar mto tempo nas miudezas escolasticas».

Bom militar, como provou nas campanhas da guerra de Espanha (como coronel e brigadeiro de infantaria no exército do Alentejo) e na ação na India contra piratas, e régulos subvencionados; mas seus interesses principais estavam no campo da economia, finanças, cultura e erudição.

Vice-rei da Índia

Os seus dois governos na Índia, o primeiro aos 27 anos como Vice-Rei e capitão-general da India em 1717-1721 e 1740-1742 (quando chegou com uma esquadra de seis naus e 2 mil soldados), foram notáveis - sobretudo o primeiro, quando venceu os árabes por três vezes e ganhou a cidade de Pot-Patane e a ilha de Zumba - do ponto de vista da administração publica, por ter restabelecido a ordem económica e financeira do domínio, e ter dado à armada força suficiente para assegurar ao comércio português a livre passagem pelos mares orientais.

Diz dele Veríssimo Serrão,[1] que «foi o maior dos governantes do Oriente na primeira metade do Setecentos» (página 293).

«Mereceram-lhe especial interesse as praças do Norte, onde já então se fazia sentir a ameaça dos Maratas, pelo que restaurou as muralhas de Damão e de Diu. Graças ao almirante António de Figueiredo Dutra, foram os árabes vencidos em três encontros navais. Escreveu um relatório a propor meios para se atalhar os males e carências da Índia. No seu entender, deviam procurar-se boas relações com os potentados vizinhos, incluindo o Grão-Mogol e o xá da Pérsia, a quem enviou embaixadores com protestos de amizade».

O homem

Como homem de grandes interesses intelectuais, devem-se ressaltar suas relações com Jussieu, ao qual comunicou exemplares e descrições de plantas de Portugal e do ultramar; o seu suplemento, em francês, do Dictionnaire Historique de Moreri; a Tradução da Histoire de Charles XII de Voltaire e um Vocabulario dos indigenas de Madagascar.

Embora ligado pelo casamento à filha do conde da Ribeira Grande, à melhor nobreza do reino e da França, recebido com todas as honras pelo Duque de Orléans e por Luís XV de França, a Rainha viúva da Espanha e os príncipes de Rohan, seus parentes próximos, não gozava do favor de D. João V de Portugal, por questão de desconfiança pessoal, por acusações que lhe moveram, depois do primeiro governo da Índia, pelas relações mantidas com o Infante D. Manuel de Bragança, pela sua cultura «estrangeirada» e também sua dúvida pelas intrigas que lhe moveram os ofendidos pelo «Discurso Político».

Protegeu as fábricas que o conde seu avô estabeleceu apesar da decadência em que as achou. Na volta do seu governo de vice-rei na India, veio para a França- entre outros conhecimentos que aí adquiriu foi o principal o do estado de perfeição das Artes. Havendo-se recolhido ao reino em 1723, achou vedada sua entrada no Paço até 1736 - mas em tais 13 anos fez o maiores estudos na Economia Política, tomando todo o conhecimento do estado da Agricultura, das Artes e do Comércio.

«A primeira vez em que beijou a mão a El-Rei, apresentou um Discurso Político sobre os interesses do Reino, para mostrar que não estivera ocioso, ocupara aquele tempo em fazer-se útil à Patria. Entre outras inadvertências ou descuidos que lembrou, tocou largamente embora com moderação e prudência, no demasiado aumento do Clero secular e regular e na sua amontoada riqueza. O poder do clero escandalizado do conteudo dele, coadjuvado dos poderes da Superstição, do Fanatismo e da Ignorância, deu ao autor a denominação de falto de Religião.»

E de notar, entretanto, que mesmo durante o período em que não era recebido pelo Rei, respondia a consultas que lhe eram dirigidas pelo Conselho Ultramarino.

Casamento e descendência

Casou com Ana Xavier de Rohan, filha de José Rodrigo da Câmara, 2° Conde da Ribeira Grande, e Constança Emilia de Rohan Soubise. Foram seus descendentes:

Francisco Xavier Rafael de Menezes, 6º Conde da Ericeira, 2º Marquês do Louriçal, senhor da Ericeira; 4º senhor de Ancião, 10º senhor do Louriçal

Constança Xavier de Menezes, casada ca. 1740 com seu primo José Félix da Cunha Menezes, senhor do morgado de Paio Pires

Henrique de Menezes (1727-1787) 7º Conde da Ericeira e 3º Marquês de Louriçal, senhor da Ericeira, 5º senhor de Ancião, 11º senhor do Louriçal

José Vicente de Menezes

Joana de Menezes

Margarida Xavier de Menezes

Fernando de Menezes


A morte

Quando faleceu, o «Elogio de Luis Carlos Inácio Xavier de Menezes, 5° conde da Ericeira, 1° Marquês de Louriçal", impresso em Londres, foi redigido pelo académico Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro conde de Oeiras e Marquês de Pombal.

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6º Conde

D. Francisco Xavier Rafael de Menezes,2º Marquês do Louriçal (1711-?), filho do anterior. Não deixou descendência. 

Francisco Xavier Rafael de Meneses, nascido em 1711, foi o 6.º Conde da Ericeira, 2.º Marquês de Louriçal Senhor da Ericeira; 4.º senhor de Ancião, 10.º senhor do Louriçal, do morgado da Anunciada e dos da casa de Sarzedas, comendador de diversas comendas pertencentes à casa dos Condes da Ericeira, etc.

Ajudante de ordens do governador das armas no Alentejo, o Conde de Atalaia. Morto o pai, em 1742, tomou posse da sua importante casa.

Casou desde 2 de maio de 1742 com D. Maria Josefa da Graça de Noronha, filha única do 3º Marquês de Cascais, D. Manuel José de Castro e D. Luísa de Noronha. Sem posteridade, sua casa e título passaram a seu irmão D. Henrique de Menezes, conde da Ericeira.


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7º Conde

D. Henrique de Menezes, 3º Marquês de Louriçal (1727-1787).Filho do 5º Conde, D. Luís de Menezes.

Henrique de Meneses, conde da Ericeira.

Nasceu em 5 de janeiro de 1727 e morreu em 29 de maio de 1787. 7.º Conde da Ericeira e 3.º Marquês de Louriçal. Foi senhor da Ericeira, 5.º senhor de Ancião, 11.º senhor do Louriçal, Gentil-Homem da câmara de D. Maria I de Portugal, cavaleiro da Ordem do Tosão de Ouro de Espanha; comendador da Ordem de Cristo; enviado extraordinário e ministro plenipotenciário a Turim e a Roma, etc. Foi a Madrid, como embaixador, em 1785 encarregado de negociar os tratados matrimoniais dos infantes de Portugal e Espanha, D. João e D. Gabriel. Sucedeu na casa ao irmão, D. Francisco Xavier Rafael de Menezes.

Casado com sua sobrinha, filha de uma irmã, D. Maria da Glória da Cunha e Menezes. Teve dois filhos ilegitimos de D. Maria Antónia Pinto de Sousa de Albuquerque Nussane que mantiveram a descendência que actualmente representa a Casa de Louriçal.


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8º Conde e o último da série 

D. Luís Eusébio Maria de Menezes Silveira, 4º Marquês de Louriçal (1780-?), filho do anterior. Não deixou descendentes.




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O Título não foi renovado depois da morte do 8º Conde. 



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